sábado, 16 de maio de 2015

A HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE



 

Etimologia

O nome do país deriva da ilha com o mesmo nome - Ilha de Moçambique. Esta ilha da província de Nampula, localizada no norte do país, foi descoberta por Vasco da Gama em 1498.
Foi considerada pela UNESCO, em 1991, Patrimonio Mundial da Humanidade. A ilha pode ainda ser considerada como o berço da unidade territorial que constitui atualmente a nação moçambicana.
O nome da ilha e do país deriva de um dos primeiros mercadores árabes, anterior à conquista portuguesa, Mussa-bin-Mbiki, que em português soa “Moçambique”.
No entanto, as "crianças guias" na Ilha de Moçambique, contam aos turistas que o nome Moçambique surgiu do nome de três meninos que Vasco da Gama encontrou a pescar na Ilha.

Chegada:
Os primeiros habitantes de Moçambique eram caçadores e coletores, ancestrais de povos Khoisani. Entre o primeiro e quarto século DC, povos falantes da língua Bantu migraram do norte através do vale do Rio Zambeze passando gradualmente para os planaltos e as áreas costeiras. Os Bantu eram agricultores e ferreiros.
Os Portugueses chegaram à costa oriental de África no início do século 16, desalojando governantes Árabes de muitas das vilas. Eles estabeleceram feitorias ao longo da faixa costeira. Após tentativas falhadas para penetrar no interior (particularmente para controlar as minas de ouro e prata no que é hoje o Zimbabwe), eles fizeram um esforço concertado para conquistar o interior nos finais do século 19. Em 1914 os Portugueses conseguiram a “ocupação efetiva” requerida pelas autoridades Europeias em 1885 na Conferência de Berlim para justificar os direitos de império.
Em contraste com as políticas das outras autoridades coloniais em África depois de 1945, a ditadura de Salazar em Portugal (1932-1968) estava determinada a continuar nas colónias do País. A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) formada em 1962 dirigiu a luta pela independência. Seguido ao golpe militar em Portugal em 1974, foi estabelecido um Governo de Transição Portugueses/Frelimo, e em 1975 o País tornou-se independente tendo a Frelimo assumido o poder, e seu lider, Samora Machel, tornou-se o primeiro presidente.
Inicialmente, a Frelimo seguia as políticas Marxista-Leninista, e foi violentamente combatida pela Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), movimento formado em 1976/7 sob a direção Rodesiana. Quando o regime minoritário da Rodésia foi retirado do poder, a Renamo passou a ser apoiada pela África do Sul, como parte da estratégia para aniquilar as políticas e economias de governos negros “estados da linha da frente” nas suas fronteiras.
O cansaço da Guerra e mudanças políticas na África do Sul e Moçambique – incluindo a mudança da FRELIMO da doutrina Marxista-Leninista – ajudou a trazer o acordo de paz, assinado em Roma entre a FRELIMO e a Renamo em 1992. O fim da Guerra civil, facilitada pelos Moçambicanos e pela comunidade internacional, é considerada como um dos maiores exemplos de sucesso de resolução de conflito em África.

Independência:
A Guerra da Independência de Moçambique, também conhecida (em Moçambique) como Luta Armada de Libertação Nacional, bem como Guerra Colonial Portuguesa foi um conflito armado entre as forças da guerrilha da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e as Forças Armadas de Portugal. Oficialmente, a guerra teve início a 25 de Setembro de 1964, com um ataque ao posto administrativo de Chai no então distrito (atualmente província) de Cabo Delgado, e terminou com um cessar-fogo a 8 de Setembro de 1974, resultando numa independência negociada em 1975.
Ao longo dos seus quatro séculos de presença em território africano, a primeira vez que Portugal teve que enfrentar guerras de independência, e forças de guerrilha, foi em 1961, na Guerra de Independência de Angola. Em Moçambique, o conflito começou em 1964, resultado da frustração e agitação entre os cidadãos moçambicanos, contra a forma de administração estrangeira, que defendia os interesses econômicos portugueses na região. Muitos moçambicanos ressentiam-se das políticas portuguesas em relação aos nativos. Influenciados pelos movimentos de autodeterminação africanos do pós-guerra, muitos moçambicanos tornaram-se, progressivamente, nacionalistas e, de forma crescente, frustrados pelo contínuo servilismo da sua nação às regras exteriores. Por outro lado, aqueles moçambicanos mais cultos, e integrados no sistema social português implementado em Moçambique, em particular os que viviam nos centros urbanos, reagiram negativamente à vontade, cada vez maior, de independência. Os portugueses estabelecidos no território, que incluíam a maior parte das autoridades, responderam com um incremento da presença militar e com um aumento de projetos de desenvolvimento.
Um exílio em massa de políticos da intelligentsia de Moçambique para países vizinhos providenciou-lhes um ambiente ideal no qual radicais moçambicanos podiam planear ações, e criar agitação política, no seu país de origem. A criação da organização de guerrilha moçambicana FRELIMO e o apoio da União Soviética, China e Cuba, por meio do fornecimento de armamento e de instrutores, levaram ao surgimento da violência que continuaria por mais uma década.
Do ponto de vista militar, o contingente militar português foi sempre superior durante todo o conflito contra as forças de guerrilha. Embora em desvantagem, as forças da FRELIMO saíram vitoriosas, após a Revolução dos Cravos em Lisboa, a 25 de Abril de 1974, que acabou com o regime ditatorial em Portugal. Moçambique acabaria por obter a sua independência em 25 de Junho de 1975, após mais de 400 anos de presença portuguesa nesta região de África. De acordo com alguns historiadores da Revolução Portuguesa do 25 de Abril, este golpe de Estado militar foi impulsionado principalmente pelo esforço de guerra e impasses políticos nos diversos territórios ultramarinos de Portugal, pelo desgaste do regime então vigente e pela pressão internacional.


Capital: Maputo
Maputo (até 1976 Lourenço Marques) é a capital e a maior cidade de Moçambique. É também o principal centro financeiro, corporativo e mercantil do país. Localiza-se na margem ocidental da Baía de Maputo, no extremo sul do país, perto da fronteira com a África do Sul e, da fronteira com a Suazilândia e, por conseguinte, da tripla fronteira dos três países. Até 13 de março de 1976 a cidade era denominada "Lourenço Marques" em homenagem ao explorador português homônimo.
A cidade constitui administrativamente um município com um governo eleito e tem também, desde 1980, o estatuto de província.  Não deve ser confundida com a província de Maputo que ocupa a parte mais meridional do território moçambicano, excetuando a cidade de Maputo.
O município tem uma área de 346,77 km e uma população de 1 094 315 (Censo de 2007) o que representa um aumento de 13,2% em dez anos. A sua área metropolitana, que inclui o município da Matola, tem uma população de 1 766 823 habitantes (Censo 2007).
Foi fundada em 1782, na forma de uma feitoria com o nome de Lourenço Marques. Em 1877 foi elevada a vila e em 10 de Novembro de 1887 a cidade, por meio de um Decreto do Rei de Portugal (formalmente intitulado Decreto Régio). Deste modo, esta última data é o "feriado municipal". E em 1898 tornou-se a capital da colónia portuguesa de Moçambique. A partir dos anos 1940 e 50, do século XX, e, sobretudo ao longo dos anos 1960 e 70, a cidade expandiu-se comercial, industrial e residencialmente, beneficiando do crescimento económico e investimento que a colónia então sofreu.
A cidade passou a designar-se Maputo depois da independência nacional, uma decisão anunciada pelo então presidente Samora Machel num comício a 3 de Fevereiro de 1976 e formalizada em 13 de Março. O nome provém do Rio Maputo, que marca parte da fronteira sul do país e que, durante a guerra pela independência de Moçambique, adquirira grande ressonância através do slogan "Viva Moçambique unido do Rovuma ao Maputo" (o Rovuma é o rio que forma a fronteira com a Tanzânia, a norte). Com a independência, a cidade sofreu um imenso afluxo populacional, devido à guerra civil travada no interior do país (1976-1992) e à falta de infraestruturas nas zonas rurais. O natural crescimento demográfico faria também com que a cidade se transformasse muito ao longo dos anos 1980 e 90.
Para além destas duas designações, a cidade e a sua área também foram conhecidas por outros nomes, tais como Baía da Lagoa, Xilunguíne ou Chilunguíne (local onde se fala a língua portuguesa), Mafumo, Camfumo ouCampfumo (do clã dos M'pfumo, o reino mais importante que existia nesta região), Delagoa e Delagoa Bay, sendo esta designação mais conhecida internacionalmente pelo menos até aos primeiros anos do século XX.
Entre 1980 e 1988 a cidade de Maputo incluiu a cidade da Matola, formando o Grande Maputo, com uma área de 633 km². 
A partir de 2010, o distrito municipal nº 1 foi nomeado KaM'pfumo, celebrando assim aquele nome histórico.

Grupos étnicos:
Os principais grupos são os Macua no norte do país, os Sena e os Ndau que ocupam grande parte do vale do Zambeze e os Changana no sul.
Os povos que habitam atualmente Moçambique são incluídos no grande grupo dos Bantu, que povoa quase toda a África a Sul do Sahara. Dentro deste grupo há muitas subdivisões, ou etnias. Vejamos algumas noções elementares das principais etnias de Moçambique, divididas, segundo muitos autores, em mais de oitenta subgrupos.

A Norte do Zambeze 
A partir do Rovuma, e da costa para o interior, situam-se quatro etnias que ofereceram grande resistência à penetração colonial:

Os Suahilis 
ocupam, antes do mais, as feitorias costeiras entre Quionga e Quelimane, se bem que encontremos igualmente pequenas colónias muito mais a Sul. A sua importância na história de Moçambique deve-se, antes de tudo, à sua religião (Islamismo militante), às suas funções comerciais (no essencial o tráfico de escravos) e às suas alianças internacionais. Os Xeques Suahilis, navegantes e negreiros, têm em Moçambique um papel ambíguo - destruidores dos seus vizinhos africanos mas, igualmente, seus protetores perante a pressão portuguesa. Como sultões de Angoche, estiveram entre os mais determinados adversários da conquista.

Os Macuas-Lomués 
constituem a mais numerosa etnia de Moçambique (3.000.000 em 1970), mas também a menos conhecida, a mais dividida e, provavelmente, a mais difícil de avaliar no plano da resistência. Inúmeros regulados, parcialmente Islamizados (principalmente os Macuas costeiros), deram simultaneamente aos Suahilis e aos Portugueses, escravos, mercenários e inimigos. Esses agricultores sem estados mostraram ser inimigos difíceis para os que queriam forçá-los. O termo “Macua” tinha frequentemente um certo significado de desprezo. Com efeito na linguagem corrente, M’ Makhuwa significa aquele que é selvagem, aquele que come ratos, aquele que anda nu. M’ Makhwa significa também aquele que vem do interior do país.

Os Macondes
No seu planalto a Sul do Rovuma, são a própria imagem da recusa da colonização. Esses guerreiros intransigentes (foi no seu território que a conquista terminou), numericamente reduzidos (175.000 em 1970) são, na realidade, agricultores alérgicos a toda e qualquer forma de autoridade e de influência estrangeira.


Os Ajauas 
 (entre 100 a 200 mil em 1970), a Oeste do Lugenda, são principalmente agricultores e artífices que os lucros do tráfico de escravos transformaram num verdadeiro flagelo para os seus vizinhos de Oeste e do Sul. Estavam em contacto comercial com os Suahilis e adoptaram o Islão mais ou menos autêntico. Os regulados Ajauas viriam a ser dos mais hostis à influência da administração portuguesa e, depois, da Companhia do Niassa.

Estas quatro etnias do Norte têm poucas coisas em comum para além de terem oferecido a mais multiforme e mais longa resistência à colonização portuguesa em Moçambique.

Além destas quatro etnias, o Norte de Moçambique tem ainda: 
um ramo do grupo Marave, a leste do lago Niassa - os Nhanjas

alguns núcleos de Angonis, ou melhor, de Angunizados, sem real significado demográfico.

O Eixo Zambeziano

Se descermos até ao Eixo Zambeziano, entraremos num verdadeiro arco-íris étnico a cuja decomposição vamos proceder de modo sumário. 
Do mar para o interior, deparamos com aqueles que os etnógrafos, na falta de melhor, designam pelo nome genérico de Complexo Zambeziano ou, de maneira mais restritiva, de Povos do Baixo Zambeze (900.000 em 1970). Compreendem, sobre um fundo Marave, a Norte, e Chona, a Sul, numerosos e variados contributos (Macuas-Lomués, Suahilis, Portugueses, Indianos, etc.) e formam um conjunto mais ou menos mesclado. Encontramos aqui também os Sena e os Chuabo.
Além deste complexo, notamos, a Norte de Tete, os Maraves orientais (200.000 em 1970) e os Angonis (30.000 em 1970) na fronteira do Malawi.


A Sul do Zambeze

Os Chonas 


 (765.000 em 1970) são os herdeiros de povos que edificaram reinos importantes, como o Estado dos Muenemutapa, e com os quais os Portugueses entraram em contacto muito cedo (século XVI). Esses agricultores sofreram muito, no início do século XIX, com as invasões dos Angonis. O Reino do Barué, reconstituído efémera e tardiamente, procurou catalizar toda a resistência a Sul do Zambeze, mas falhou. Os outros estados Chonas desempenharam, nos séculos XIX e XX, um papel pouco importante. Foram, durante mais de duas gerações, tributários de um estado secundário muito importante e interessante, nascido da expansão Angune: Gaza.

Os Angonis
Os verdadeiros Angonis são, em Gaza, em pequeno número, mas o seu poderio e os recursos humanos do seu estado (900.000 a 1.000.000) foram suficientes par manter a independência de facto até 1895. Gaza, estado multinacional (Chonas no Norte, Tsongas no Sul e Angunizados no Sul), seria o núcleo da resistência do Barué.

Os Tsongas 
(1.850.000) ocupam o Sul de Moçambique. São agricultores e pastores que sofreram de modo desigual a influência dos seus senhores ou vizinhos Angonis e dos Portugueses. Aqui, o factor determinante parece ter sido a atracção da África do Sul, para onde a emigração temporária em massa, há mais de um século, tivera consequências nas mentalidades, no nível de vida, na cultura, etc., mais intensas que em qualquer outro ponto de Moçambique. 

Os Chopes 
são hábeis agricultores que tiveram, já tarde, de sofrer as campanhas de exterminação dos Angonis e Angonizados de Gaza. A sua resistência aos Portugueses de Inhambane está, porém, bem atestada, mas foi anarquica. Mais tarde, forneceriam, nas mesmas condições que os Tsongas, o essencial dos trabalhadores migrantes para a África do Sul.

Os Bitongas
por vezes classificados entre os Chopes, nunca cessaram de estar sob a alçada dos Portugueses. Os Chopes e os Bitongas eram avaliados, conjuntamente, em 450.000 em 1970.
Este quadro esboçado em linhas gerais, revela pois, dez grupos etno-linguísticos distintos e mais um décimo-primeiro (o dos povos do Baixo Zambeze) que representa simplesmente, uma conveniência dos especialistas. 

Este quadro completa-se com a simples menção de uma décima segunda componente do povo Moçambicano: os Asiáticos, ou mais precisamente os Indianos. Alguns dos representantes e descendentes destes Indianos desempenharam um importante papel na história da comquista da Zambézia. Durante muito tempo, encontramo-los em todas as feitorias e também no mato, ao passo que o povoamento português era ainda essencialmente urbano (exceptuando os oficiais-administradores).

Línguas:
As línguas de Moçambique são todas de origem bantu, com exceção do português, que é a língua oficial, desde que o país se tornou independente, em 25 de junho de1975. O Ethnologue lista para Moçambique 43 línguas, compiladas abaixo, das quais 41 são línguas bantu, chamadas “línguas nacionais” na Constituição, e as restantes são o português e a língua de sinais.
De acordo com o censo populacional de 1997, as línguas mais faladas em Moçambique, como primeira língua (Língua materna) são a emakhuwa, com 26,3%, seguida da xichangana (11,4%) e da elomwe (7,9%).
Moçambique é um “Palop” (pertencente aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Duas das suas cidades, Maputo, a capital, e a Ilha de Moçambique são igualmente membros da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas, também conhecida como “União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa”.
Moçambique, país que hoje possui o português como sua língua oficial, tem em sua historia  o domínio das dialéticas usadas pelos povos indígenas africanos , que por motivos desconhecidos saiam de suas localidades a busca de um novo local para se estabelecer, e encontraram na região Sul da África onde se localiza Moçambique. Os primeiros habitantes de Moçambique foram os Khoisam, que eram caçadores-coletores. Moçambique tinha uma região com fertilidade, e havia, portanto, condições para a fixação de povos caçadores-coletores e até agricultores.
Moçambique durante um longo período foi habitado por diferentes povos como, por exemplo, os San, Khoisan, Bosquimanos e Bantu, em determinados momentos. As informações sobre este país no período antecedente a colonização são poucas, mas é evidente que os antigos habitantes da região tinham hábitos semelhantes e preservavam a pratica da caça, e viviam do que encontravam. A base da economia dos habitantes era a agricultura , mas também tecelagem  e metalurgia encontravam-se  desenvolvidas, para suprir necessidades familiares e o comércio era em troca direta. A estrutura social era bastante simples – baseada em famílias de linhagem à qual era reconhecido  um chefe.
Com o tempo, o crescimento demográfico, novas invasões e principalmente com a chegada de mercadores, a estrutura social tornou-se mais complexa, com linhagens dominando outras e, formando-se verdadeiros estados na região. Moçambique apresentava situações adequadas para o mantimento dos povos que o habitam, um país que lhes dava possibilidade  de continuar seus costumes e hábitos, de história pouco conhecida no seu início.

Relação de línguas faladas em Moçambique

O=Oficial C= Reconhecida pelo Centro de Estudos de Línguas Moçambicanas (NELIMO)E=Alistada no Ethnologue 
Ethnologue: Languages of the World é uma publicação impressa e em linha do SIL International, uma instituição linguística de princípios cristãos que estuda principalmente línguas minoritárias para propiciar a seus falantes textos bíblicos em sua língua materna.
O Ethnologue contém estatísticas para mais de seis mil línguas (na 15ª edição de 2005) e fornece dados como números de falantes, localização geográfica, dialetos, genética, disponibilidade da Bíblia etc. Atualmente, constitui um dos mais amplos inventários de idiomas existente, junto com o Registro Linguasphere.


·        C Bitonga
·        C Cibalke
·        C Cicopi
·        E Cidema
·        C Cinsenga
·        C Cinyanja
·        C Cinyungwe
·        E Ciphimbi
·        C Cisena
·        E Citawara
·        E Citewe
·        C Citshwa
·        C Ciyao
·        E Echirima
·        C Echuwabo
·        E Ekokola
·        C Ekoti
·        E Elolo
·        C Elomwe
·        E Emaindo
·        C Emakhuwa
·        E Emanyawa
·        E Emanyika
·        E Emarenje
·        E Emarevoni
·        E Emeetto
·        E Emoniga
·        E Enathembo
·        E Esaaka
·        E Etakwane
·        C Isizulu
·        E Kimakwe
·        C Kimwani
·        C Kiswahili
·        O Português
·        C Shimakonde
·        C Siswati
·        C Xingoni
·        C Xirhonga
·        C Xitsonga





Crioulos:
Com relação às línguas crioulas, a literatura é um pouco maior, mesmo assim várias delas ainda estão por merecer uma descrição mais acurada e profunda. Mas é impressionante e extensa a lista de línguas crioulas que teriam no português a sua língua de base. Segundo nos informam Tarallo e Alckmin(1987), na Ásia os crioulos portugueses seriam classificados em três grupos:
1-o. Grupo: sino-português
2-o. Grupo: malaio- português
3-o. Grupo: indo-português
Destes, o mais numeroso foi o terceiro grupo – o da Índia – mas a maioria dessas línguas já está extinta.
Já na África, podemos, ainda segundo os mesmos autores, apontar:
1. Crioulos portugueses do golfo da Guiné
2. Crioulo português das ilhas de Cabo Verde
3.Crioulo português da Guiné-Bissau
4.Crioulo português do Senegal
Os que têm apresentado uma vitalidade maior são os do golfo da Guiné, nas Ilhas de São Tomé e Príncipe, e o de Cabo Verde. Nestes dois últimos casos, temos a língua crioula concorrendo com o próprio português, que é a língua oficial.
Do ponto de vista sociolinguístico, a grande questão que tais crioulos vivem diz respeito às condições de sua sobrevivência. Línguas altamente estigmatizadas, só recentemente têm sido recebidas e tomadas como símbolos de nacionalidade, ganhando escrita, literatura, gramáticas, que são instrumentos poderosos de promoção e difusão das línguas.

Indústria:
Verifica-se um grande desenvolvimento no setor industrial, principalmente nas áreas de processamento de produtos agrícolas, (para além dos têxteis e setor químico) visando à substituição de importações, e colocando a produção para o mercado externo. Para isso, o governo está reativando o Fundo de Apoio à Reabilitação da Economia (FARE), condicionando o apoio e estimulo na criação do empresariado nacional. A concessão de créditos em boas condições aos pequenos empresários da agricultura, pesca e pequena indústria e o financiamento das cantinas rurais estão entre as medidas tomadas pelo Estado.
Tipos: Alimentos; Têxtil; Vestuário; Tabaco; Química; Bebidas (cerveja).

Bandeira

 Cinco cores que formalmente significam:
Verde: A riqueza do solo;
Branca: A paz;
Preta: O continente africano;
Amarela: Os recursos minerais;
Vermelha: O Sangue derramado na luta de resistência ao colonialismo, a Luta Armada de Libertação Nacional e a defesa da soberania;



2 – Os Símbolos


A Estrela: Representa a solidariedade entre os povos,
A Arma AK-47: Simboliza a luta armada e a defesa do país,
O Livro: A educação por um país melhor;
A Enxada: A agricultura;

3 – Curiosidades

·        A bandeira inclui uma imagem de uma AK-47 com uma baioneta anexada ao cano. É a única bandeira nacional no mundo a contar com um rifle tão moderno.
·        Ela é baseada na bandeira da Frente de Libertação de Moçambique e sofreu alterações com o tempo.
Os primitivos povos de Moçambique eram bosquímanos caçadores e recolhedores. As grandes migrações entre 200/300 DC dos povos Bantu de hábitos guerreiros e oriundos dos Grandes Lagos, forçaram a fuga destes povos primitivos para as regiões mais pobres em recursos. 
Antes do séc. VII, foram estabelecidos Entrepostos comerciais pelos Suahil-árabes na costa para trocar produtos do interior, fundamentalmente ouro e marfim por artigos de várias origens.

PENETRAÇÃO COLONIAL


No final do séc. XV há uma penetração mercantil portuguesa, principalmente pela demanda de ouro destinado à aquisição das especiarias asiáticas. 
Inicialmente, os Portugueses fixaram-se no litoral onde construíram as fortalezas de Sofala (1505), Ilha de Moçambique(1507). Só mais tarde através de processos de conquistas militares apoiadas pelas atividades missionárias e de comerciantes, penetraram para o interior onde estabelecerem algumas feitorias como a de Sena (1530), Quelimane (1544). O propósito, já não era o simples controlo do escoamento do ouro, mas sim de dominar o acesso às zonas produtoras do ouro. Esta fase da penetração mercantil é designada de fase de ouro. As outras duas últimas por fase de marfim e de escravos na medida em que os produtos mais procurados pelo mercantilismo eram exatamente o marfim e os escravos respectivamente. O escoamento destes produtos acabou sendo efetivado através do sistema de Prazos do vale do Zambeze que teriam constituído a primeira forma de colonização portuguesa em Moçambique. Os prazos eram uma espécie de feudos de mercadores portugueses que tinham ocupado uma porção de terra doada, comprada ou conquistada. A abolição do sistema prazeiro pelos decretos régios de 1832 e 1854 criou condições para a emergência dos Estados militares do vale do Zambeze que se dedicaram fundamental ao tráfego de escravos, mesmo após a abolição oficial da escravatura em 1836 e mais tarde em 1842. No contexto moçambicano as populações macúa-lómué foram as mais sacrificadas pela escravatura. Muitos deles foram exportadas para as ilhas Mascarenhas, Madagáscar, Zanzibar, Golfo Pérsico, Brasil e Cuba. Até cerca de 1850, Cuba constituía o principal mercado de escravos Zambezianos. 
Com o advento da conferência de Berlim (1884/1885), Portugal foi forçado a realizar a ocupação efetiva do território moçambicano. Dada à incapacidade militar e financeira portuguesa, a alternativa encontrada foi o arrendamento da soberania e poderes de várias extensões territoriais a companhias majestáticas e arrendatárias. Companhia de Moçambique e a Companhia do Niassa são os exemplos típicos das companhias majestáticas. Companhia da Zambézia, Boror, Luabo, sociedade do Madal, Empresa agrícola do Lugela e a Sena Sugar Estates perfazem o exemplo des de companhias arrendatárias. O sistema de companhias foi usado no Norte do rio Save. E, estas dedicaram-se principalmente a uma economia de plantações e um pouco do tráfego de mão de obra para alguns Países vizinhos. O Sul do Rio Save (províncias de Inhambane, Gaza e Maputo) ficaram sob administração directa do Estado colonial. Nesta região do País foi desenvolvida basicamente uma economia de serviços assente na exportação da mão de obra para as minas sul-africanas e no transporte ferro-portuário via Porto de Maputo. Estada divisão económica regional explica a razão da actual simetria de desenvolvimento entre o Norte e o Sul do País. 
A ocupação colonial não foi pacífica. Os moçambicanos impuseram sempre lutas de resistência com destaque para as resistências chefiadas por Mawewe, Muzila, Ngungunhane, Komala, Kuphula, Marave, Molid-Volay e Mataca. Na prática a chamada pacificação de Moçambique pelos portugueses só se deu no já no séc. XX.

A LUTA PELA INDEPÊNCIA
A opressão secular e o colonial fascismo português acabaria por obrigar o Povo moçambicano a pegar em armas e lutar pela independência. A luta de libertação Nacional, foi dirigida pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Esta organização, foi fundada em 1962 através da fusão de 3 movimentos constituído no exilo, nomeadamente, a UDENAMO (União Nacional Democrática de Moçambique), MANU (Mozambique African National Union) e a UNAMI (União Nacional de Moçambique Independente). Dirigida por Eduardo Chivambo Mondlane, a FRELIMO iniciou com a luta de libertação Nacional a 25 de Setembro de 1964 no posto administrativo de Chai na província de Cabo Delgado. O primeiro presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, acabaria por morrer assassinado a 3 de Fevereiro de 1969. A ele sucedeu Samora Moisés Machel que proclamou a independência do País a 25 de junho de 1975. Machel que acabou morrendo num acidente aéreo em M'buzini, vizinha África do Sul acabou sendo sucedido por Joaquim Alberto Chissano, que por sua vez foi substituido pelo actual Presidente Armando Emílio Guebuza.
A partir do início dos anos 80, o País viveu um conflito armado dirigido pela RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique). O conflito que ceifou muitas vidas e destruiu muitas infraestruturas economicas só terminaria em 1992 com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz entre a o Governo da FRELIMO e a RENAMO. Em 1994 o País realizou as suas primeiras eleições multipartidárias ganhas pela FRELIMO que voltou a ganhar as segundas e terceira realizadas em 2000 e 2004.


ECONOMIA 
Cerca de 45% do território moçambicano tem potencial para agricultura, porém 80% dela são de subsistência. Há extração de madeira das florestas nativas. A reconstrução da economia (após o fim da guerra civil em 1992, e das enchentes de 2000) é dificultada pela existência de minas terrestres não desativadas. O Produto interno bruto de Moçambique estava estimado em US$ 8,132 bilhões, em 2007. Calcula-se que de uma população ativa de 8,4 milhões de pessoas, apenas 11,1% trabalham no sector formal.
Principais produtos agrícolas (dados de 2007)
·        algodão
·        cana-de-açúcar
·        castanha de caju
·        copra (polpa do coco)
·        mandioca.
Pecuária (dados de 2006)
·        bovinos (2,7 milhões)
·        suínos (400 mil)
·        ovinos (345 mil)
A pesca é reduzida - 71,4 mil t em 2006.
Minérios: carvão, sal, grafite, bauxita, ouro pedras preciosas e semipreciosas. Possui também reservas de gás natural e mármore.
Indústria: alimentos; têxtil; vestuário; tabaco; química; bebidas (cerveja).
O país tem um grande potencial turístico, destacando-se as zonas propícias ao mergulho nos seus mais de 2 mil km de litoral, e os parques e reservas de animais no interior do país. Para atrair investimentos estrangeiros, criou o Corredor de Desenvolvimento de Nacala (CDN), junto ao porto daquela cidade, com acesso rodoviário, suprimento de energia elétrica, e com ligação por ferrovia até o vizinho Malaui.


POLÍTICA DE MOÇAMBIQUE
A Frelimo foi o movimento que lutou pela libertação e que dirige a política de Moçambique desde a independência, a 25 de Junho de1975. Em 1978, a Frelimo tornou-se num partido político marxista-leninista e Samora Machel ocupou a presidência do país, num regime de partido único, desde a independência até à sua morte em 1986.
Em 1990, foi aprovada uma nova constituição que transformou o estado numa democracia multipartidária. A Frelimo permaneceu no poder, tendo ganhado por quatro vezes as eleições realizadas em 1994, 1999, 2004 e 2009. A Renamo é o principal partido da oposição.
De acordo com a constituição em vigor, o regime político em Moçambique é presidencialista: o chefe de Estado é igualmente chefe do governo. No entanto, existe desde 1985 o cargo de Primeiro Ministro, que pode dirigir as sessões do Conselho de Ministros na ausência do presidente.
O parlamento tem a designação de Assembleia da República e é constituído por 250 assentos.
Para além do Presidente da República e dos membros do parlamento, os presidentes e os membros das assembleias dos municípios e das províncias (desde 2009) são igualmente eleitos democraticamente, para mandatos de cinco anos.


Curiosidades
Etnias
 Faz parte da história de Moçambique, ser um porto de chegada de vários povos e culturas, destacando-se os povos Bantu da África Central, Árabes, Indianos e Europeus. Diversas zonas de comércio floresceram ao longo da costa de Moçambique, onde a influência Árabe, nos portos, era forte e o Swahili era a língua franca do comércio, negociando África, Oriente Médio, Ásia e Europa, o que originou uma mistura explosiva e positiva, o Povo Moçambicano.
Os povos Bantu que, não constituindo uma raça específica, mas um conjunto de grupos com uma cultura comum e uma linguagem similar está na origem das etnias dominantes e que se dividiram em vários subgrupos.
 O Norte de Moçambique, em grande parte, é a terra dos Macuas, que representam um terço da população do país. Possuem uma cultura matrilinear e um chefe detentor de todos os poderes. 
Entre os rios Zambeze e Save encontram-se os Shonas-Carangas, subdivididos em vários grupos e fortemente influenciados por séculos de contacto com comerciantes árabes e portugueses. 
No Sul dominam os Tongas. Têm uma família patrilinear com um grande chefe e chefes territoriais subalternos.
Além dos descendentes dos grupos Bantu, grupos com menos expressão, como sejam os Maravis, na Província de Tete; os Ngunes, no Sul; os Macondes, junto à fronteira Norte, existem as comunidades Swahilis-Árabes (mestiçagem entre Persas, Árabes e nativos Bantus, grupo Bantu Central Yao), os Indianos e Europeus dispersos por todo o país. 



Religião
O Cristianismo, na sua interpretação católica, foi introduzida em Moçambique pelos portugueses, no século XVI. O Cristianismo confunde-se com a história do Império Romano e com a história do povo Judeu. Na sua origem, o Cristianismo foi apontado como uma seita surgida do Judaísmo e terrivelmente perseguida. Quando Jesus Cristo nasceu, por volta do ano 4 a.C., na pequena cidade de Belém, próxima de Jerusalém, os Romanos dominavam a Palestina. Os Judeus viviam sob a administração de governadores Romanos e, por isso, aspiravam pela chegada do Messias, como o enviado que os libertaria da dominação Romana. Até aos 30 anos Jesus viveu anónimo em Nazaré, cidade situada a norte de Israel. Aos 33 anos foi crucificado em Jerusalém, ressuscitando três dias depois. Em pouco tempo, três anos, reuniu seguidores (os 12 apóstolos) e percorreu a região pregando a sua doutrina e fazendo milagres. Para as autoridades religiosas judaicas ele era um blasfemo, pois se autodenominava de Messias. Não tinha aparência e poder para ser o líder que libertaria a região da dominação Romana. Para os Romanos, era um agitador popular. Após ser preso e morto, a tendência era de que os seus seguidores se dispersariam e os seus ensinamentos fossem esquecidos. Ocorreu o contrário. Espalharam-se pelo mundo pregando a sua mensagem de amor, paz, restauração e salvação. Em Moçambique, a primeira igreja foi erguida em Sofala (1505), e dois anos depois outra na Ilha de Moçambique. Pouco depois foram construídas misericórdias e hospitais (Sena, Moçambique). A difusão do cristianismo em Moçambique foi sempre muito difícil, dada a permanente falta de missionários. Apenas a partir do século XIX, a Igreja Católica iniciou uma acção mais sistemática, quer no campo da evangelização, quer no campo educativo. Para tal fundou em Portugal o seminário de Cernache do Bonjardim destinado a formar sacerdotes seculares para África e o Oriente, tendo-se promovido a ida também de outros missionários religiosos de diversos institutos (Franciscanos, Jesuitas, padres do Espírito Santo, Salesianos, etc). Depois da Implantação República em Portugal (1910), esta ação decaiu bastante. Os republicanos, ativos combatentes do Catolicismo, não tardaram em restringir a ação da igreja, nomeadamente no campo educativo. Os Jesuítas são expulsos da região do Zambézia. Com a ditadura (1926), as relações entre o Estado e a Igreja melhoraram, o que possibilitou o desenvolvimento da missionação em África e a consolidação da sua organização. Após a Independência de Moçambique, em 1975, a Igreja Católica foi combatida pelo novo governo moçambicano, sendo nacionalizada a maior parte das suas escolas e outras instalações. O pretexto foi o da sua alegada ligação ao colonialismo português. A devolução destes recursos só começou a fazer-se depois do Acordo de Paz (1992) que pôs fim a uma longa guerra civil. O Catolicismo está disseminado por todo o país.
O Islamismo, iniciou a sua expansão no Séc.VII, d.C., quer para Oriente, quer para Ocidente. MUHAMMAD (S.A.W.), último Mensageiro de ALLAH (Deus), nascido em Meca, na Arábia, no ano 571 d.C., recebeu a revelação divina aos 40 anos em 611 d.C.. Este acontecimento marcou o início do seu trabalho como Mensageiro de ALLAH. O Povo de Meca nessa altura adorava ídolos. MUHAMMAD (S.A.W.) convidou-o para o Islamismo, alguns aceitaram, outros se recusaram, tornando-se inimigos dele. Ele continuou a pregar à mensagem divina e gradualmente o número de convertidos foi aumentando. No 12º ano da sua profecia em 622 d.C., emigrou de Meca para Madina. O Povo de Madina aceitou-o como líder e estabeleceu o primeiro Estado Islâmico em Madina. O Calendário Islâmico principia no primeiro dia da sua emigração. MUHAMMAD (S.A.W.) foi organizando os seus seguidores, para a difusão da mensagem de ALLAH, com muita paciência e prudência. Em pouco tempo, a mensagem do Islamismo, religião de paz, amor e tolerância, foi espalhada por toda a Arábia e vários países. Os Árabes iniciaram a sua campanha de conquista somente após a morte do Profeta em 632 d.C.. Damasco foi tomada em 635. A Mesopotânea em 637. Jerusalém, Bassorá e Ctesiphon em 638. Egipto e parte da Pérsia em 642. Líbia em 644 (Cartago). Tunis em 698. Cabul em 699. Tânger em 709. Em 711 entraram na Europa. No início do Séc.VIII, o poder muçulmano crescia também no Noroeste do Continente Africano. A sua difusão em Moçambique, sobretudo no norte e ao longo do litoral, ter-se-á feito através da costa, por intermédio dos Swahilis-Árabes (mestiçagem entre Persas, Árabes e nativos Bantus, grupo Bantu Central Yao). Até à 2º. Guerra Mundial o Islamismo circunscrevia-se ao litoral norte, com excepção de uma bolsa no Niassa (tribo dos Ajauas). A partir daí registou-se uma difusão para sul e interior do território, sendo o norte a região de maior implantação do Islamismo (tribos Macuas e Macondes). Quando rebentou a guerra de libertação, foi nesta região que a Frelimo teve a sua maior base de apoio entre a população. Nesta difusão do Islamismo teve um papel fundamental as confrarias sediadas na Ilha de Moçambique, mas também o clima criado pela reacção contra a cultura Ocidental produzido pelos movimentos pan-islâmicos e pan-africanos. Nos anos 1950 do século XX, o número de fieis rondariam os 600 mil. Nos anos 1960 assistiu-se a um rápido crescimento do seu número, registando-se em 1974 já um total de 1,2 milhões. Em 1982, segundo números oficiais estimavam-se em 2,249 milhões. O Islamismo está dissiminado por todo o país.

Diálogo Islâmico – Cristão

O Islamismo reconhece que foram revelados aos antigos Profetas vários Livros, Tora (Taura, em árabe), do Profeta Moisés, Salmos (Zuber), do Profeta David, Envagelho (Injil), do Profeta Jesus (Iça). O Livro sagrado dos muçulmanos, fonte primeira do exacto conhecimento do Islamismo, é o Alcorão. 
Cap. XXIX, versículo 46:  Não discutas com os adeptos do Livro (Cristão e Judeus), a não ser em termos honestos e moderados, salvo com aqueles que entre si praticam o mal. E diz (Ó Muhammad), "Nós cremos naquilo que nos foi revelado, assim como no que vos foi revelado antes; o nosso Deus e o vosso são Um e a Ele nos consagramos". 
Cap. II, versículo 62: Olha esses que creem (naquilo que ti foi revelado, ó Muhammad), e a esses que são Judeus ou Cristãos (Ahle Quitab), sequazes do Livro, todos os que creem em Deus e no último Dia, e que praticam o bem, por certo que receberão das mãos do Senhor a misericórdia.
O Concílio do Vaticano II, afirmou: Se, no decorrer dos séculos, numerosas dissenções e inimizades se manisfestaram, entre Cristãos e Muçulmanos, o Concílio a todos exorta, que se esqueça o passado, que se esforce sinceramente na mútua compreensão, que se proteja e se promova em conjunto, e para todos os homens, a justiça social, os valores morais, a paz e a liberdade.
Constituição Lumen Gentin" sobre a Igreja Cap. II, nº. 16: O plano de salvação envolve também aqueles que reconhecem o Criador, e os muçulmanos, que professam possuir a fé do Abraão e adoram o único Deus, Misericordioso, futuro Juiz da Humanidade no último Dia. 
Nostras Aetate, nº. 3, parte I: A igreja olha com estima os muçulmanos e que adoram o Único Deus, MisericOrdioso ... Buscam submeter-se de toda a sua alma ás ordens de Deus ... Embora não reconheçam Jesus como Deus, veneram-no como Profeta, honram a sua mãe, Maria, e chegam por vezes a invocá-la com piedade.


O que é Responsabilidade Social?



A responsabilidade social é quando empresas, de forma voluntária, adotam posturas, comportamentos e ações que promovam o bem-estar dos seus públicos interno e externo. É uma prática voluntária pois não deve ser confundida exclusivamente por ações compulsórias impostas pelo governo ou por quaisquer incentivos externos (como fiscais, por exemplo). O conceito, nessa visão, envolve o beneficio da coletividade, seja ela relativa ao público interno (funcionários, acionistas, etc) ou atores externos (comunidade, parceiros, meio ambiente, etc.).
Com o passar do tempo, tal concepção originou algumas variantes ou nuances. Assim, conceitos novos – muitas vezes complementares, distintos ou redundantes – são usados para definir responsabilidade social, entre eles Responsabilidade Social Corporativa (RSC), Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e Responsabilidade Social Ambiental (RSA).
A chamada RSC é, na maioria dos casos, conceito usado na literatura especializada sobretudo para empresas, principalmente de grande porte, com preocupações sociais voltadas ao seu ambiente de negócios ou ao seu quadro de funcionários. O conceito de RSE, ainda que muitos vejam como sinônimo de RSC, tende a envolver um espectro mais amplo de beneficiários (stakeholders), envolvendo aí a qualidade de vida e bem estar do público interno da empresa, mas também a redução de impactos negativos de sua atividade na comunidade e meio ambiente. Na maioria das vezes tais ações são acompanhadas pela adoção de uma mudança comportamental e de gestão que envolve maior transparência, ética e valores na relação com seus parceiros.
Por fim, o conceito de Responsabilidade Social Ambiental (RSA), talvez mais atual e abrangente, ilustra não apenas o compromisso de empresas com pessoas e valores humanos, mas também preocupações genuínas com o meio ambiente. Independentemente de que linha ou conceituação utilizar, fica evidente que empresas variam bastante – o que muitas vezes é natural e reflete sua vocação como negócio – na prioridade a ser dada a questões socioambientais, às vezes focando em certos públicos em detrimento de outras ações sociais igualmente relevantes.
Críticas em relação ao papel das empresas na responsabilidade social
É importante frisar que o conceito não deve ser confundido com filantropia ou simples assistência social. Aqui, na lógica do “é melhor ensinar a pescar, do que dar o peixe”, entende-se responsabilidade social como um processo contínuo e de melhoria da empresa na sua relação com seus funcionários, comunidades e parceiros. Não há viés assistencialista uma vez que há uma lógica embutida de desenvolvimento sustentável e crescimento responsável. A maior parte das empresas que adotam postura socialmente responsáveis auferem um crescimento mais sustentável, ganhos de imagem e visibilidade e são menos propícias a litígios ou problemas judiciais.
Apesar disso, não são poucos os críticos ou céticos desse movimento, que ganhou força principalmente nos anos 70 e 80 após uma série de escândalos de imagem e uma sucessão de problemas corporativos num ambiente de capitalismo predatório e desumanizado. Um dos maiores críticos a esse engajamento crescente das empresas em causas sociais foi o economista Milton Friedman o qual sempre defendeu que o propósito de qualquer empresa é a “maximização do lucro” e geração de empregos, não devendo portanto substituir atribuições do Estado. Se é bem verdade que o conceito foi excessivamente explorado em campanhas publicitárias ou em projetos de questionável impacto social, é fato que as empresas ainda necessitam aprimorar sua relação com a sociedade de maneira a promover um desenvolvimento baseado na ideia do “triple bottom line”, ou seja, calcado em um tripé que envolve o meio ambiente, a economia e o social.
Certificações socioambientais
No intuito de estimular a responsabilidade social empresarial, uma série de instrumentos de certificação foram criadas nos últimos anos. O apelo relacionado a esses selos ou certificados é de fácil compreensão. Num mundo cada vez mais competitivo, empresas vêm vantagens comparativas em adquirir certificações que atestem sua boa prática empresarial. A pressão por produtos e serviços socialmente corretos faz com que empresas adotem processos de reformulação interna para se adequarem às normas impostas pelas entidades certificadoras. Entre algumas das certificações mais cobiçadas atualmente enumeramos as seguintes:
  • Selo Empresa Amiga da Criança: Selo criado pela Fundação Abrinq para empresas que não utilizem mão-de-obra infantil e contribuam para a melhoria das condições de vida de crianças e adolescentes.
  • ISO 14000: O ISO 14000 é apenas mais uma das certificações criadas pela International Organization for Standardization (ISO). O ISO 14000, parente do ISO 9000, dá destaque às ações ambientais da empresa merecedora da certificação.
  • AA1000: O AA1000 foi criada em 1996 pelo Institute of Social and Ethical Accountability. Esta certificação de cunho social enfoca principalmente a relação da empresa com seus diversos parceiros, ou “stakeholders”. Uma de suas principais características é o caráter evolutivo já que é uma avaliação regular (anual).
  • SA8000: A “Social Accountability 8000” é uma das normas internacionais mais conhecidas. Criada em 1997 pelo Council on Economic Priorities Accreditation Agency (CEPAA), o SA8000 enfoca, primordialmente, relações trabalhistas e visa assegurar que não existam ações antissociais ao longo da cadeia produtiva, como trabalho infantil, trabalho escravo ou discriminação.
  • ABNT-ISO 26000: No dia 1º de novembro de 2010, foi publicada a Norma Internacional ISO 26000 – Diretrizes sobre Responsabilidade Social, cujo lançamento foi em Genebra, Suíça. No Brasil, no dia 8 de dezembro de 2010, a versão em português da norma, a ABNT NBR ISO 26000, foi lançada em São Paulo. A norma é de grande utilidade a empresas interessadas em adotar programas de RSE uma vez que oferece orientações relacionadas a sete princípios norteadores de responsabilidade social:

  • “Accountability”: Ato de responsabilizar-se pelas consequências de suas ações e decisões, respondendo pelos seus impactos na sociedade, na economia e no meio ambiente, prestando contas aos órgãos de governança e demais partes interessadas declarando os seus erros e as medidas cabíveis para remediá-los.
  • Transparência: Fornecer às partes interessadas de forma acessível, clara, compreensível e em prazos adequados todas as informações sobre os fatos que possam afetá-las.
  • Comportamento ético: Agir de modo aceito como correto pela sociedade – com base nos valores da honestidade, equidade e integridade, perante as pessoas e a natureza – e de forma consistente com as normas internacionais de comportamento.
  • Respeito pelos interesses das partes interessadas (stakeholders): Ouvir, considerar e responder aos interesses das pessoas ou grupos que tenham um interesses nas atividades da organização ou por ela possam ser afetados.
  • Respeito pelo Estado de Direito: O ponto de partida mínimo da responsabilidade social é cumprir integralmente as leis do local onde está operando.
  • Respeito pelas Normas Internacionais de Comportamento: Adotar prescrições de tratados e acordos internacionais favoráveis à responsabilidade social, mesmo que não que não haja obrigação legal.
  • Direito aos humanos: Reconhecer a importância e a universalidade dos direitos humanos, cuidando para que as atividades da organização não os agridam direta ou indiretamente, zelando pelo ambiente econômico, social e natural que requerem.

Multiculturalismo



Multiculturalismo no Brasil é a mistura de culturas. Trata-se da miscigenação dos credos e culturas que ocorrem no Brasil desde os tempos da colonização.
E uma das principais características da cultura brasileira é esta diversidade. O processo imigratório teve grande importância para a formação desta cultura. O Brasil incorpora em seu território culturas de todas as partes domundo. Podemos dizer que este processo de imigração começou em 1530 quando os portugueses deram início à colonização do Brasil. Os primeiros imigrantes não-portugueses que vieram para o Brasil foram os africanos, que eram utilizados como escravos nas lavouras de café.
Graças ao rápido desenvolvimento das plantações de café, esta colonização intensificou-se a partir de 1818, quando vieram para cá os imigrantes de fora de Portugal à procura de oportunidades. Vieram suíços, alemães,eslavos, turcos, árabes, italianos, japoneses, entre outros.
O caso brasileiro é bem mais complexo, porque aqui se desenvolveu um processo colonizador cuja característica fundamental foi a mestiçagem cultural. A riqueza cultural e étnica do país não é levada em consideração no cotidiano, tendendo ao estereótipo e à disseminação de preconceitos.

O ÚLTIMO MINUTO


A nossa proposta de estudar (ou discutir) a arte da literatura quando vinculada à arte do futebol – propósito da minha gratificante participação neste blog – tem considerado vários aspectos técnicos destes dois campos de expressão humanos. Desde a relação mais direta entre a bola e a palavra por meio da perspectiva lúdica em que tanto o jogador de futebol como o escritor se irmanam na maneira de criar ou produzir beleza até as formas diferenciadas com que cada um deles maneja o material de que dispõe para tocar a sua arte – a instauração da realidade ficcional por parte de um e a peripécia fugidia inventada pelo contato do corpo com a bola por parte do outro – tudo, mas tudo mesmo, nesse campo, se estabelece como que realizado pelo poder radiante da invenção. Ou da inventividade, por assim dizer. É isso que vamos conferir, precisamente, nesse conto de futebol do escritor carioca, Sergio Sant’ anna, um verdadeiro craque na arte da invenção literária. Sant’ anna talvez seja o nosso “Neymar” da literatura brasileira contemporânea, tão amplo é o seu repertório de jogadas geniais com a palavra ficcional. Um daqueles craques para quem a palavra – assim como a bola, tornada tema literário – se entrega sem receio e sem reservas como a pedir que lhe chutem em direção à meta, ao gol, ou mesmo ao agrado de uma firula ou de um drible desconcertante dado na cara do adversário. A bola a qui é a palavra e o jogador aqui é o nosso Sérgio Sant’ anna que a domina como poucos, no campo da literatura. É só conferir o que eu estou dizendo lendo o texto abaixo, uma análise comentada, feita por mim,  de um dos seus contos futeblísticos mais geniais.
x.x.x
No último minuto
Sérgio Sant´anna
Este é um texto ficcional muito inventivo que revela o domínio das formas de narrar em ficção e que se debruça sobre aspectos relevantes do futebol quando entendido como metáfora lingüística da vida em alguns dos seus aspectos essenciais. O elemento do imponderável, presente tanto na vida quanto no jogo; a força das circunstâncias na definição de situações que parecem revelar certa autonomia dos objetos sobre os seres; a impotência destes diante de fatos consumados que informam a existência; a sensação de um tempo decisivo na configuração de estados sem volta na permanente mudança dos entes e das coisas são, enfim, alguns desses aspectos colocados em pauta por esta história.
Mais uma vez a linguagem televisiva é requisitada como elemento formal e o que sobressai nessa narrativa, por conseguinte, é a capacidade que a televisão tem de potencializar os efeitos dos fatos decorridos sobre a consciência e o psiquismo dos que deles participam. Seja diretamente, ampliando a repercussão desses efeitos no íntimo dos seus protagonistas; seja indiretamente, reapresentando para nós espectadores (e, agora, leitores) dimensões múltiplas desses fatos em função da sua recorrente e sistemática repetição através das imagens que os configuram – passam e repassam – nesses tempos de modernidade.
O caso aqui é o de um goleiro que conta a história de um lance imprevisto que o envolveu numa partida de final de campeonato e que, justamente por ser previsível o seu desenrolar, torna imprevisíveis e duros os impactos do seu desfecho no âmbito humano desse jogador de futebol. A história nada mais é do que o reviver, por parte do goleiro personagem e narrador, o drama em que tomou parte e que, dadas as circunstâncias do seu momento decisivo, tenta, por este recurso narrativo, compreendê-lo no que ele tem de mais incompreensível e de imponderável.
“Canal 5”.
Começa assim a narrativa.
“É uma rebatida de defesa deles. A bola vem alta e cai pro Breno, nosso médio-apoiador. Ele a mata no peito, põe no chão e aí perde o domínio da pelota. Mas ninguém vai se lembrar disso: que a primeira falha foi do Breno. A bola fica, então, para o meia-armador deles: o Luiz Henrique. É o momento do desespero, o último minuto”.
Esse trecho, explique-se – como, ademais, todos os que vão ser transcritos aqui – é a descrição, pelo narrador, do lance capital que protagonizou e a que ele assiste depois pelas câmeras de TV de um dos canais que o transmitiram. Note-se o recurso da descrição imagética da TV como a conferir objetividade plena a algo que, no interior do personagem-narrador, é vivido de forma intensamente subjetiva.
“(…) É um chute rasteiro, um centro chocho… E eu grito: ‘deixa’. Eu fechei o ângulo direitinho e caio na bola. Eu sinto a bola nos meus braços e no peito. E sei que a torcida vai gritar e aplaudir, desabafando o nervosismo, naquele último ataque do jogo. Eu tenho a bola segura com firmeza no meu peito e, de repente, sinto aquele vazio no corpo. Eu estou agarrando o ar. A bola escapando e penetrando bem de mansinho no gol. A bola não chega nem alcançar a rede; ela fica paradinha ali…, depois da linha fatal.”
Como a não acreditar no que acontecera, tudo é literalmente repassado pelo narrador outra vez, agora através de um utilíssimo recurso da televisão.
“EM CÂMARA LENTA”.
“(…) O ponta esquerda deles, o Canhotinho, está tão longe da bola que parece impossível que consiga alcançá-la. (…) O passe foi tão longo [refere-se ao passe que o adversário Luiz Henrique fizera a esmo: ‘É um desses lançamentos de araques na afobação de fim de jogo, só pra ver o que acontece’] que mesmo em vídeo-tape, já sabendo do jogo, a gente custa a se convencer que ele chegará a tempo de tocar na bola. Então me vem agora, essa sensação absurda de que ainda pode acontecer tudo diferente, e corrigir minha falha”
Para conseguir um efeito cumulativo do seu drama – efeito que vai se ampliando à medida que a história avança –, o narrador conclui assim, a descrição do que via pelo canal 5: “E agarrei a bola, ela está segura nos meus braços e no meu peito. Nós vamos ser campeões. Eles param o tape só para mostrar isso: como eu estou tranqüilo com a bola. Neste instante, nós ainda somos campeões do Brasil”.
Os trechos seguintes da narrativa fazem a ligação entre a sua dimensão puramente intrínseca ao futebol e a repercussão humana, já, do ocorrido. Daí ser funcionalmente interessante, o narrador mudar a sua perspectiva de visão através da mudança do canal de TV.
“CANAL 3”.
“São vinte e dois minutos do primeiro tempo. Minha mulher senta ao meu lado e diz pra eu desligar a televisão e me esquecer daquilo tudo. ‘Amanhã é outro dia’, Ela diz. Amanhã é outro dia, eu penso. Eu vou sair na rua e ver o meu retrato em todos os jornais dependurados nas bancas: eu me preparando para defender aquele chute; eu com a bola nas mãos; eu com a bola perdida e já entrando no gol. Eu, o culpado da derrota. Eu, frangueiro, se não falarem pior: que eu estava vendido.”
“Quando vai começar o segundo tempo, minha mulher aperta a minha mão e fica me olhando assim meio de lado. Eu digo para ela ir dormir, não quero a piedade de ninguém”.
“O tempo passando, minuto por minuto. Eu ouço aquele barulho todo da torcida e é incrível como a alegria pode se transformar em tristeza tão de repente. Eu penso, também, como a vida se decide às vezes num centímetro de espaço ou numa fração de segundos. E me volta aquela loucura, a sensação de poder modificar um destino já cumprido, fazer tudo diferente. Ir naquela bola de outro jeito, espalmá-la para corner, mesmo sem necessidade”.
Novamente o recurso da câmara lenta e do vídeo-tape para intensificar ainda mais a sensação do drama vivido e, diante do incompreensível, tentar compreendê-lo ao divisá-lo sob os mais diferentes ângulos:
“Tape parado: Eu estou com a bola segura e escondida nos braços e sob o corpo”.
“Tape rodando lentamente: a gente percebe, a princípio, apenas que a bola se deformou: ela parece um ovo, com a ponta aparecendo entre os meus braços. É como se a bola inchasse e por isso se despregando do meu corpo e escorrendo mansamente pela grama. Até parar, caprichosamente, um pouco depois da linha fatal”
“POR DETRÁS DO GOL: No meio daquele inferno todo, eu me viro para trás e estou de cabeça baixa diante dos fotógrafos e cinegrafistas. Eu tenho vontade que o mundo desapareça ao meu redor. O mundo não desaparece. Eu cubro o rosto com as mãos e é assim que aquela câmera me focaliza. Eu cubro o rosto com as mãos aqui sentado diante do televisor, que me mostra cobrindo o rosto com as mãos lá dentro do gramado”.
Aqui fica concluída a mixagem dos três planos que envolvem a ocorrência vivida pelo personagem-narrador: o do jogo em si, quando o goleiro constata desolado o gol improvável que tomou; o do homem em jogo, quando ele sente o impacto do fato sobre os seus ombros e reage impotente, literalmente indefeso, e do jogo espetáculo, quando sua dor subjetiva é mostrada objetivamente pelas impiedosas objetivas das câmeras de TV.
Daí que o narrador, para ressaltar todos esses elementos envolvidos num jogo de futebol moderno, e para compor uma mimese adequada a sua transfiguração pela palavra literária, tenha inteligentemente escolhido o suporte da linguagem da televisão e com ela fixado a maneira pela qual, através da lógica do espetáculo, um momento que é de experiência individual, torna-se de vivência coletiva.
E para expandir ainda mais o âmbito de repercussão da sua falha de goleiro, e com isso expor mais precisamente a dimensão da sua dor interior, o narrador encerra a sua história a partir de mais um ângulo de observação em que a imagem cede lugar ao som, como a evidenciar, para o caso narrado, a eficácia da natureza tátil do veículo televisão, conforme preconizava deste meio de comunicação, o pensador Marshal McLuhan.*
O recurso de tirar partido do efeito cumulativo é o mesmo com as repetições da cena capital levadas ao paroxismo.
“CANAL 8 – Eles abriram os microfones e a gente escuta nitidamente os gritos da nossa torcida: ‘É campeão, é campeão’. Um grito que ecoará durante a noite inteira na cidade. Só que a torcida adversária que irá comemorar. ‘É campeão, é campeão’, o grito apenas mudando de um lado para o outro das arquibancadas”.
(…)
“EM CÂMERA LENTA – (…) Eles voltam à câmara uma porção de vezes. Aquela bola que sai de dentro do gol e volta aos meus braços e daí ao Canhotinho e dele de volta ao Luiz Henrique. Aquela bola que sai de novo dos pés de Luiz Henrique e rola para a ponta esquerda e até a linha de fundo, onde o Canhotinho bate nela todo torto e de esquerda e daí aos meus braços e depois para dentro do gol”.
“Eles repassam uma porção de vezes a jogada. (…) Como se fosse repetir-se para sempre, igual a um pesadelo”.
De temática simples, um evento relativamente comum em jogos de futebol (o lance em que o goleiro é traído pela bola, deixando passar um gol que todos – inclusive ele – asseguravam defendido: o chamado “gol frango”), o grande lance desse conto de Sérgio Sant´anna é a forma de narrá-lo. Um caso típico em que a forma ilumina o conteúdo. Conteúdo esse, o leitor pôde notar, tecido aqui por uma fabulação que é ela mesma rica em significados extras, e que por conseqüência disso salta da categoria de um mero evento de jogo para a dimensão de um daqueles pequenos dramas humanos que, mais do que as câmaras de TV, só as lentes da boa literatura sabem captar.
QUEM É O AUTOR:
Sérgio Sant’Anna nasceu no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1941. É contista, romancista e poeta. Sua obra é notória pelo caráter experimental, abordando temas urbanos de várias formas diferentes, algumas bastante transgressivas e inovadoras. Embora já tenha publicado poesia, peças de teatro, novelas e romances, Sant’anna se considera primeiramente um contista. Seu romance mais célebre é As Confissões de Ralfo, publicado em 1975. O livro é a história de um escritor que decide escrever uma “autobiografia imaginária”, narrando vários fatos extraordinários numa sucessão inverossímil. Além de O sobrevivente (1969), publicou Notas de Manfredo Rangel, repórter – A respeito de Kramer (1973), Simulacros (1977), O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1982), Amazona (1986), Senhorita Simpson (1989), Breve história do espírito (1991), O monstro (1994) e Contos e novelas reunidos (1997). Ganhou por duas vezes o prêmio Jabuti e também, por duas vezes, foi agraciado com o prêmio Status de Literatura. A narrativa, acima, No último minuto foi publicada, no livro, Contos brasileiros de futebol, editado em 2005, por Cyro de Matos, sob os auspícios da Editora LGE, de Brasília, e 22 contistas em campo, reunião de textos organizada por Flávio Moreira da Costa e publicada pela Ediouro, do Rio de Janeiro, em 2006.


A influência da África no Brasil





A cultura africana é extremamente diversificada e suas características retratam tanto a história do povo quanto a de seu continente. Isso acontece porque os habitantes da África evoluíram em um ambiente cheio de contrastes e com várias dimensões. Culturalmente eles diferem muito entre si, falam um vasto número de línguas, praticam diferentes religiões, vivem em habitações diversificadas e se envolvem em inúmeras atividades econômicas.
No Brasil, a cultura africana chegou através do tráfico negreiro que trouxe para o País povos da África na condição de escravos. Da mesma forma que os indígenas, os africanos tiveram sua cultura repreendida pelos colonizadores. Mesmo assim foram eles que ajudaram a dar origem às religiões afro-brasileiras, e trouxeram muitos de seus costumes para a dança, música, culinária e idioma.
Desde a chegada dos negros no Brasil, houve uma grande influência da cultura africana na nossa maneira de viver em muitas circunstâncias.
Podemos destacar a presença afro-brasileira na nossa língua, de proveniência africana temos as seguintes palavras: cachaça, moleque, quindim, jiló, macumba, marimbondo, cochilo, tanga, samba, maxixe, zabumba, acarajé, carimbó, canjica, etc. Também se destacam nomes: Jurema, Iuri, Joaquim, Jusefa, etc. Não podemos nos esquecer da importância que trouxeram na alimentação: paçoca, feijoada, quindim, tapioca, bolo de fubá, acarajé, vacapá, bobó, feijão mulatinho, dendê, inhame e aipim. O Brasil teve uma forte influência da religião africana,tais como a Cacumba, Iemanjá e o Candoblé. O candoblé por exemplo, é uma religião fetichista(mas que sofreu influências do cristianismo), hoje comum no nosso país e que veio originalmente da África.
O racismo e o preconceito têm sua raiz no processo de escravização dos povos africanos pelos europeus. Os escravos eram empregados em praticamente todas as atividades nos três séculos e meio que durou a escravidão em nosso país.
Esse povo sofreu, mas trouxe consigo características que não se perderam com o tempo e permanecem até hoje aucumulada na diversidade brasileira.

Cultura afro-brasileira
Denomina-se cultura afro-brasileira o conjunto de manifestações culturais do Brasil que sofreram algum grau de influência da cultura africana desde os tempos do Brasil colônia até a atualidade. A cultura da África chegou ao Brasil, em sua maior parte, trazida pelos escravos negros na época do tráfico transatlântico de escravos. No Brasil a cultura africana sofreu também a influência das culturas europeia (principalmente portuguesa) e indígena, de forma que características de origem africana na cultura brasileira encontram-se em geral mescladas a outras referências culturais.
Traços fortes da cultura africana podem ser encontrados hoje em variados aspectos da cultura brasileira, como a música popular, a religião, a culinária, o folclore e as festividades populares. Os estados do Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul foram os mais influenciados pelacultura de origem africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante a época do tráfico como pela migração interna dos escravos após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste.
Ainda que tradicionalmente desvalorizados na época colonial e no século XIX, os aspectos da cultura brasileira de origem africana passaram por um processo de revalorização a partir do século XX que continua até os dias de hoje.
Evolução histórica
De maneira geral, tanto na época colonial como durante o século XIX a matriz cultural de origem europeia foi a mais valorizada no Brasil, enquanto que as manifestações culturais afro-brasileiras foram muitas vezes desprezadas, desestimuladas e até proibidas. Assim, as religiões afro-brasileiras e a arte marcial da capoeira foram frequentemente perseguidas pelas autoridades. Por outro lado, algumas manifestações de origem folclórico, como as congadas, assim como expressões musicais como o lundu, foram toleradas e até estimuladas.
Entretanto, a partir de meados do século XX, as expressões culturais afro-brasileiras começaram a ser gradualmente mais aceitas e admiradas pelas elites brasileiras como expressões artísticas genuinamente nacionais. Nem todas as manifestações culturais foram aceitas ao mesmo tempo. O samba foi uma das primeiras expressões da cultura afro-brasileira a ser admirada quando ocupou posição de destaque na música popular, no início do século XX.
Posteriormente, o governo da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas desenvolveu políticas de incentivo do nacionalismo nasquais a cultura afro-brasileira encontrou caminhos de aceitação oficial. Por exemplo, os desfiles de escolas de samba ganharam nesta época aprovação governamental através da União Geral das Escolas de Samba do Brasil, fundada em 1934.
Outras expressões culturais seguiram o mesmo caminho. A capoeira, que era considerada própria de bandidos e marginais, foi apresentada, em 1953, por mestre Bimba ao presidente Vargas, que então a chamou de "único esporte verdadeiramente nacional".
A partir da década de 1950 as perseguições às religiões afro-brasileiras diminuíram e a Umbanda passou a ser seguida por parte da classe média carioca. Na década seguinte, as religiões afro-brasileiras passaram a ser celebradas pela elite intelectual branca.
Em 2003, foi promulgada a lei nº 10.639 que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), passando-se a exigir que as escolas brasileiras de ensino fundamental e médio incluam no currículo o ensino da história e cultura afro-brasileira.
Estudos afro-brasileiros
O interesse pela cultura afro-brasileira manifesta-se pelos muitos estudos nos campos da sociologia, antropologia, etnologia, música e linguística, entre outros, centrados na expressão e evolução histórica da cultura afro-brasileira. 
Muitos estudiosos brasileiros como o advogado Edison Carneiro, o médico legista Nina Rodrigues, o escritor Jorge Amado, o poeta e escritor mineiro Antonio Olinto, o escritor e jornalista João Ubaldo, o antropólogo e museólogo Raul Lody, entre outros, além de estrangeiros como o sociólogofrancês Roger Bastide, o fotografo Pierre Verger, a pesquisadora etnóloga estadunidense Ruth Landes, o pintor argentino Carybé, dedicaram-se ao levantamento de dados sobre a cultura afro-brasileira, a qual ainda não tinha sido estudada em detalhe.
Alguns infiltraram-se nas religiões afro-brasileiras, como é o caso de João do Rio, com esse propósito; outros foram convidados a fazer parte do Candomblé como membros efetivos, recebendo cargos honorificos como Obá de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá e Ogan na Casa Branca do Engenho Velho, Terreiro do Gantois, e ajudavam financeiramente a manter esses Terreiros.
Muitos sacerdotes leigos em literatura se dispuseram a escrever a história das religiões afro-brasileiras, recebendo a ajuda de acadêmicos simpatizantes ou membros dos candomblés. Outros, por já possuírem formação acadêmica, tornaram-se escritores paralelamente à função de sacerdote, como é caso dos antropólogos Júlio Santana Braga e Vivaldo da Costa Lima, as Iyalorixás Mãe Stella e Giselle Cossard, também conhecida como Omindarewa a francesa, o professor Agenor Miranda, a advogada Cléo Martins e o professor de sociologia Reginaldo Prandi, entre outros.
Culinária
A feijoada brasileira, considerada o prato nacional do Brasil, é frequentemente citada como tendo sido criada nas senzalas e ter servido de alimento para os escravos na época colonial. Atualmente, porém, considera-se a feijoada brasileira uma adaptação tropical da feijoada portuguesa que não foi servida normalmente aos escravos. Apesar disso, a cozinha brasileiraregional foi muito influenciada pela cozinha africana, mesclada com elementos culinários europeus e indígenas.
A culinária baiana é a que mais demonstra a influência africana nos seus pratos típicos como acarajé, caruru, vatapá e moqueca. Estes pratos são preparados com o azeite-de-dendê, extraído de uma palmeira africana trazida ao Brasil em tempos coloniais. Na Bahia existem duas maneiras de se preparar estes pratos "afros". Numa, mais simples, as comidas não levam muito tempero e são feita nos terreiros de candomblé para serem oferecidas aos orixás. Na outra maneira, empregada fora dos terreiros, as comidas são preparadas com muito tempero e são mais saborosas, sendo vendidas pelas baianas do acarajé e degustadas em restaurantes e residências.
Música e dança
A música criada pelos afro-brasileiros é uma mistura de influências de toda a África subsaariana com elementos da música portuguesa e, em menor grau, ameríndia, que produziu uma grande variedade de estilos.
A música popular brasileira é fortemente influenciada pelos ritmos africanos. As expressões de música afro-brasileira mais conhecidas são o samba, maracatu, ijexá, coco, jongo, carimbó, lambada, maxixe, maculelê.
Como aconteceu em toda parte do continente americano onde houve escravos africanos, a música feita pelos afro-descendentes foi inicialmente desprezada e mantida na marginalidade, até que ganhou notoriedade no início do século XX e se tornou a mais popular nos dias atuais.

A CULPA É DAS ESTRELAS




Hazel Grace é uma jovem prestes a completar dezessete anos de idade e desde o treze sofre com um câncer na tireoide que evoluiu para uma metástase no pulmão e faz com que ela tenha que andar com um cilindro de oxigênio e uma cânula no nariz para conseguir respirar. 
Os médicos estão convencidos que ela está deprimida já que passa muito tempo pensando na morte, sendo assim ela tem que frequentar um Grupo de Apoio liderado por Patrick, o único adulto. Segundo Hazel, a única coisa que salvava o grupo era um menino chamado Isaac, com quem ela nunca conversava verbalmente, apenas por meio de suspiros e que tem um câncer nos olho, que o fez perder um olho e agora está prestes a lhe levar o outro. 
Em uma quarta-feira, Hazel está determinada a ficar em casa e assistir America’s Next Top Model, porém, depois da insistência de sua mãe, acaba indo assim mesmo. É nesse dia que ocorre a reviravolta da história dela: Ela conhece Augustus Waters, um garoto com Osteosarcoma em remissão e melhor amigo de Isaac, por quem ela não consegue evitar se apaixonar. 
Em um aspecto eles dois são muito diferentes: Augustus teme o esquecimento e está desesperado por deixar uma marca no mundo. Hazel, por outro lado, não se importa com isso, ela acha que é uma bomba-relógio e que quanto menos pessoas ela machucar quando explodir, melhor. Além disso, ela vê o esquecimento como inevitável para todos. 
Ela aprendeu isso com Peter Van Houten, que é o autor do seu livro preferido “Uma Aflição Imperial” sobre uma menina chamada Anna que tem um tipo raro de leucemia. O grande problema é que o livro acaba no meio de uma frase, como se Anna tivesse ficado doente demais para escrever ou tivesse morrido. Só que isso deixa Hazel sem saber o que aconteceu com os outros personagens da trama e ela escreve diversas cartas para Van Houten, mas ele nunca escreve de volta. 
Ele se mudou dos EUA para a Holanda e nunca mais se ouviu dele, de qualquer livro que ele tenha publicado ou de qualquer entrevista que ele tenha dado. Ninguém sabe dele e uma das grandes angustias de Hazel é não saber o que acontece com a família de Anna depois que ela morre. 
Depois de mostrar o livro ao Gus, ele arranja um jeito de entrar em contato com a assistente de Van Houten e consegue um endereço de e-mail pelo qual Hazel pode se comunicar com o autor, onde ele deixa claro que o único modo de ele contar o que acontece é se eles se encontrarem pessoalmente. Depois de algumas complicações é o que acaba acontecendo. Ela, o Gus e a mãe dela acabam viajando para a Holanda e juntos eles vão se apaixonando e aproveitando o pequeno infinito que a vida lhes reserva. 


VARIÇÃO LINGUÍSTICA